segunda-feira, 9 de julho de 2012

Lave Leve


Lave a minha lama, leve minha alma. Deixe estar, no sereno da noite o banho é da lua. Eu ainda me lembro da nossa lua, aquela que foi tema de nem sei quantas músicas que eu não consegui fazer. É estranho crescer assim, meu tempo bate num ritmo além dos teus braços e o seu tempo me devora os pensamentos. Nantes era bom, não que agora esteja ruim. Diferente. Como pesam as palavras sobre os ombros dos desavisados. Sabe assim? No primeiro voo a altitude é tão maior que o prazer, que de medo a gente nem vê as nuvens que são de água, nem nota que em dias de chuva o céu vira mar. Isso eu descobri sonhando, o meu porto não é tão aéreo quanto o seu, mas gosto de voar contigo.
Na verdade a gente se esqueceu de ficar quieto e deixar o vento bater, a gente esqueceu daquele abraço, oitocentas mil palavras não ditas quando são ditas, enchem o mar de cores. Mas eu gosto dele verde.  É assim, deixe o mar verde, a maré subir, deixe assim, aqui e ali e quando der, lave minha lama leve minha alma. Mas que seja leve

quinta-feira, 7 de junho de 2012

São afetos

Te escrevo à meia voz, como forma de tentar explicar o mais íntimo, o mais interno e não dito. O que ainda vai ficar interdito por muito tempo.
Eu sempre descri no amor dependente, e ainda não creio, não creio mas entendo - A chuva chegou arrebentando minha janela, arrebatando brutalmente o calor da pele e me fazendo arrepiar até o âmago amargo da alma, agora eu acredito que está chovendo - A água da chuva, que escorre do céu, do seu, do meu, que são o mesmo, é tão pura quanto o sangue.
 O sangue sim pode ser considerado puro, puro na essência, na cor e na textura. O sangue é tinta pra escrever lei, é a cor perfeita pra te explicar como me sinto, porque vem do coração. Do coração própria/mente dito, o órgão vital, a bomba de sangue que de tão sutil é quase bonita. Assim como quase sou eu, e como quase és tu. Bonito por dar impulso à vida, por manter os olhos abertos, e conservar latente em mim essa coisa que ferve feito febre na pele e nos olhos.
 É engraçado pensar que "amo" na cabeça - Porque é na cabeça que se ama - e sinto no corpo, como o arrepio de tesão, a ereção, erupção, explosão... E tudo  isso que sinto são afetos de mim, criados por eu próprio e dedicados ao amor que não sei explicar.
 Mas não se pergunte pra que servem todas essas palavras desenhadas de vermelho, exprimidas, expelidas, polidas e expulsas no pulso que bombeia o coração. São só palavras do ínfimo eu, e eu não sei explicar o que elas dizem. Mas dizem, expelem e exalam o cheiro da tua pele que eu tenho guardado na memória, olfativa ou de tato, ou dos dois. De tanto te afundar na minha pele ela expele e sua teu odor inconfundível de inocência e olhos castanhos.
Não te escrevo pra pedir nem pra recusar, na verdade não estou certo se o que escrevo é pra mim ou pra você. Não sei também se ainda sei me ser, mas minhas horas, meus dias e até o pôr-do-sol e a lua tem sua cor, que não é vermelho e nem outra, mas a sua.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

dream

Eu tenho tantos sonhos adormecidos, que acordá-los seria dormir um pouco mais...


                                                   

domingo, 27 de maio de 2012

O verbo chuva

A saudade dói, - Não dói, cor-rói.- pega o pelo, a pele, o paladar e tira o sabor. O problema é saber te pensar, que o pensar é meu inimigo assumido. Assumir, Sumir, O, Você.
Eu Assumo, Sumo, Mas o sumo da fruta dói, - Não dói, cor-rompe - e meu olhos são dois mares, mareados, maremotos, marcados pelo tempo. Eles têm o costume de chover. Eu chovo, tu chove, ele chove, nós chovemos... Eu chovo, e só o que sei sobre o verbo chuva.

sábado, 19 de maio de 2012

A bordô

Acordo no sentido horário do relógio
Tombo fora do biombo Edifício
Abajur, cabelo, passo pelo tédio
Acendo um incenso de bom senso
Amamos fora o cinza denso da manhã
Meio dia vício, ócio, tarde sã
Vivendo à beira, na cadeira sento
Um café médio, elevador, desço do prédio
Olho pro céu, dou tchau pro sol, me entrego ao vício
Tomo umas doses, tomo uns tombos, e o relógio

É lógico que conta o tempo
Meus olhos que vão contra o tempo
E os dia que eu invento
Vejo passar, deixo de amar pra não atrasar.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ô menina


Ô menina eu tenho uma coisa pra te falar

Mas nem com uma hora de conversa eu saberia te contar

Que eu passo muito tempo no espelho ensaiando te dizer

Essas coisas que se diz por aí

Ô menina eu preciso mesmo desabafar

Deixar soltas essas palavras ou perdidas, pelo ar

E quando eu conseguir me fazer entender

Sobre as coisas que eu não disse pra você

Coisas do tipo, como o seu cabelo está bonito

E como você tem um perfume, é um cheiro de flor

Que eu não conheço, mas eu reconheço aonde for

Ô menina, tu mexe demais com minha cabeça

E antes que eu me esqueça ou perca a coragem

Vou te dizer o que eu ensaiei

Eu acho que eu gosto de você

vermelho indizível


O Vermelho que pode dizer amor , pode também ser jazz.

Um beijo de cereja, pimenta e cabelos..

O vermelho que pra muitos é rosa e que pra outros é luz ou paixão.

Em mim é sangue que escapuliu das veias numa explosão de significados inexplicavelmente quentes e primários como a cor.

O meu vermelho pulsa, expulsa e impulsiona a viver. O vermelho mancha…

sábado, 21 de abril de 2012

O óculos, é claro.

Depois de muito tempo as coisas ainda existiram. Os sentimentos por aqui guardados. Mas não sei. Foi mais ou menos assim que voltou:

-Oi
-Oi, bonito.
(pensaram em várias coisas, como o céu, a noite, o copo que um deles segurava)
-Você se lembra de quando te vi apresentar sob as luzes de uma cidade perdida? Bem aqui.
-Perdida?
-Na festa. Tinha tanta tinta.
-Lembro da tinta! (silêncio). É, eu me lembro da tinta!
- E do óculos, você se lembra?
- Lembro. Mas era tanta tinta, não era?
- Eu comprei. Era vermelho, você se lembra?
- Tinha tinta branca, e tinha um pano preto. Você comprou?
(silêncio). O óculos, é claro!
-Comprei. Mas eu perdi. Ia te dar no dia seguinte, mas perdi!
- A gente tem o hábito de perder coisas o tempo todo. Eu tenho.
- Tem.
- Não gosto de perder, mas muda o mundo, gira e tudo mais.
- É.
- É...

sexta-feira, 30 de março de 2012

Lucy in the sky

Se podes enxergar, veja o céu.
Não há nada mais certo que o céu...

In Out

Olho lá fora, e tem tanta coisa
E quando me olho pra dentro, tem coisas
Os carros passam rápidos
E o líquido vermelho passa polido
E o céu tem memórias
E uns fios de memórias
Nos cheiros e nos cantos, bandolins
Nos derradeiros cantos, jardins
Se me encanto, quando canta o sabiá
E se me encanta o canto do sorriso
É porque não sei se foi tu ou se foi ele
De boca nua, ou de pele

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Aquele momento

Eu vou te dizer sim, com todos os pontos e vírgulas.
E se eu deixar faltar palavras, é porque não as encontrei.
Palavras para dizer de mim são difíceis de serem sopradas pelos meus próprios lábios.
No teu fundo sabes de mim. Sabes que gosto.
E eu sei que é mais do que podes entender.
E eu entendo essa sua... Limitação.
Direi, se me perguntares, quem sou, mas não digo a quem amo.
Isso não diria nem sob pena de morte, se não saberias, enfim, que é verdade os teus pensamentos e então eu.
Não vou saber lidar.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sobre nossa música

Tem tanta musica de amor por aí, mas eu queria escrever a nossa.
Pensei em começar com "eu te amo" ou então com "era uma vez", mas era óbvio e eu queria alguma coisa legal.
Pulei então duas linhas de um papel em branco e comecei com um parágrafo, no parágrafo desenhei as asas de um pássaro -sei lá qual- Mas era pra dizer que você é avoada e esqueceu as chaves, depois escrevi meia dúzia de palavras, amassei o papel e joguei no lixo, junto com a ideia de fazer uma muúsica.
E isso aqui é o relato de uma ideia frustrada de te compor uma música que não fosse uma qualquer.

Porta treco com guarda chuva

No caminho de volta pra casa
Entre os carros e as flores
Algo me chamou a atenção
Uma sombrinha amarela com bolinhas

E sob o sol, sob a sombrinha
Tinha uma menina bonitinha
De cabelo curto e unhas azuis
Mas seus olhos eu não pude ver

Eu guardei no Guarda-Roupa
Guarda-chuva Porta-Treco
A imagem da menina
Da sombrinha com bolinhas
Parada no sinal

Ela estava de saia comprida
Sandálias fora de moda
E tinha uma flor na pele
No ombro, que a roupa não cobria

Ela, parada, rodava a sombrinha
Roía a unha, esperando
Pararem os carros e as flores

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Fatores do Aqui


Eu adoro em você a espontaneidade, o fator sorriso que praticas tão bem. Eu adoro em você não perceber impurezas, sentir sua inocência que em hora alguma se confunde com burrice. Falar pra você daquela poesia sobre asas, e te escrever cartas que eu não envio. Eu adoro em você algo que eu não sei identificar. Eu adoro... Sei lá. Odiar o que eu adoro em você. Dormir ao seu lado e ficar acordado por uma hora durante a noite, só pra te olhar. Querer tanto te dizer pessoalmente tudo iss,o mas ter medo de estar te enchendo o saco. Eu adoro tentar me distrair, e me pegar pensando em você do nada. Eu adoro ler coisas e querer te enviar, mas me conter e pensar que é bonito guardar pra mim. Eu adoro o risco que você me faz correr por querer fazer sempre o seu gosto, e não saber o que te agrada. Querer te fazer uma surpresa, te levando a um prédio abandonado, pra te dizer tudo o que eu já escrevi sobre você e gritar de lá de cima que eu te amo. Mas eu não vou, eu te amo e disse uma vez e quando eu disser de novo... explosão de sêmen e sangue. 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Relicário

Aquela fotografia foi meu primeiro objeto
Ali tudo começou
O primeiro contato
 - indireto-
Um projeto de não saber lidar
Que eu guardei na estante
Onde fica a Pena que você me deu
E a minha máquina de escrever
Pra te tornar parte do necessário
Meu adversário avesso
Um relicário travesso de ti.

Com mais algum tempo, vieram os seus sorrisos
Que não eram objetos
Mas eram o contato reto dos meus olhos
Enfim, os beijos e abraços
Depois os traços do seu rosto no meu desenho
 -sem olhar.
Sem o seu olhar que eu não quis desenhar
 -porque eu não sei-

Então veio a passagem
O tempo que nunca passa.
A volta torta,
A conversa bêbada 
O amor recíproco
A carta que não foi
E a que veio junto com a outra foto

E só o que falta é você
 -Miúdo caber-
Na minha estante 
Pra te tornar parte do necessário
Meu adversário avesso
Um relicário travesso de ti.

sábado, 26 de novembro de 2011

Sinal

Parado no carro
Parado no trânsito
Parado
Escuto Amélia pulando
Digo para. Não.
Não para.
Ainda estamos parados.
Minha imaginação...
(curtindo o som. Amélia pulando.)
... Voa Longe.
Curto. Metragem curta.
Fechados os olhos
Beijos, abraços, palavras
Dirigidas ao nada.
Ditas a ninguém.
Perdi o pulso da respiração
Ela parou
Elas. Amélia. Respiração.
Amélia parou e eu parado
No carro parado
No sinal aberto

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Vulcão

Da outra vez a gente era igual
Da outra vez ainda era difícil
Como saber a hora da explosão de um vulcão
Nós, malucos, vamos lutar pra esse estado continuar
Esse estado de horas. Dias.
É quase como se eu me esquecesse de respirar,
Me diga se você morreria sem respirar?
Por um momento. Uma pausa. E você se esquece.
De repente, não mais que de repente.
Eu já morri por ti.
"Aquilo que mataste tens também de amar"
Mas morri em sonho
Pra acordar e te ver partir de novo
E é nesse momento
Quando as palavras se tornam insuficientes,
Que eu me esqueço
Esqueço de que você vai voltar
e quero me fundir a ti
de entrar no envelope que te dei
E ir embora contigo.
Sombra de árvore em dia nublado.
É assim, eu fico, aqui
Adaptando-me, dançando conforme a melodia!
A chuva sempre para
Mas tudo fica molhado por um tempo
Então você volta, e faz do branco algo mais
E eu penso tudo de novo
Da outra vez a gente era igual
Da outra vez ainda era difícil


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Quimera Raio

Raio de Bronze. Bronze de sol.
Que fala baixinho, miúdo, mansinho
E se não for pra falar, não fala
Olhar de Fera, Quimera

Seu silêncio atordoa, constrange
Eu ousaria chamar-te Afrodite
Isso, é claro, se me permite a comparação

Você dança, dança, dança
Se movimenta no bailar dos dias
Enche todos os olhos de alegria
E não se cansa.

Bailarina contemporânea
Que dança com o tempo na idade
Num jogo de tem que dar tempo

Digo a você:
- Tem que se ter tempo pra viver

Tire viver por Viver, fazer o que quiser
E não o que der
No mais admiro tua beleza
Essa "delicatèsse" da alma feminina

 Mero Mortal

Amor descontraído

Eramos seis em um.
Em um circulo de nós
Nós, esses, que nos prendiam sem motivo
Sem força. Sem prender...
Eu sou ele como você sou eu
E nós todos eramos tudo
Tudo o que queríamos e precisávamos
Eu amava Ele, Ela amava Ela, Ele amava Ela
Loucos errantes. Amantes de primeira viagem...
Eramos seis em todos.
Eramos "aqueles" que...
Batiam palmas quando riam
Faziam Tratos "escrotinhos"
Fomos Escrotos!!
Toda brincadeira era de verdade.
Em cada pele, suspiro, pensamento, osso, dente.
No Ocidente, orientados pelo Oriente.
(sem saber o que aquilo tudo significava)
Sendo vários pontos de UM mesmo Ponto!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Meu 1°

Uma palavra, uma lagrima.
Uma foto, um Nó(s).
Um Bilhete. Meu coração quebrou.
Uma palavra, um bilhete, uma foto.

Você e eu. Eu e você. Nó...ssS
Amélie Poulain.

Como doía o nó, e como ardia o olho ao sentir na alma o que não sabia decifrar!